Fonte: Nidde Digital – 28/03/2026
Com 69% favoráveis à imigração, brasileiros também destacam impacto da escravidão e desigualdades na sociedade
O Brasil aparece na segunda posição entre os países de língua portuguesa quando o assunto é o apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas o percentual registrado está bem distante de Portugal, o líder do ranking. Os dados são do Barômetro da Lusofonia, pesquisa do IPESPE (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas) realizada com mais de 5 mil entrevistados em oito países.
Segundo o levantamento, 48% dos brasileiros se dizem favoráveis ao casamento homoafetivo — um índice que representa quase metade do verificado em Portugal, onde o apoio chega a 70%.
A diferença evidencia um desnível relevante mesmo entre os países mais bem colocados. Embora ocupe a segunda posição, o Brasil ainda está longe de um cenário de maioria consolidada em torno do tema.
Nos demais países lusófonos, os índices são significativamente mais baixos. Cabo Verde registra 38% de apoio, enquanto Angola e Moçambique têm apenas 10%. Em Timor-Leste, o percentual cai para 7%, e em São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, apenas 3% da população se posiciona favoravelmente.
O recorte mostra que, apesar de estar entre os países com maior aceitação relativa, o Brasil ainda apresenta uma sociedade dividida em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, especialmente quando comparado ao patamar mais elevado observado em Portugal.
A percepção sobre desigualdade racial também se destaca. Para 35% dos entrevistados, a herança da escravidão ainda impacta fortemente a sociedade brasileira — índice superior à média dos países lusófonos. Além da área social, o brasileiro considera que o legado da escravidão afeta também a cultura (18%), a política (17%) e a economia (9%); outros 12% dos entrevistados afirmaram que a escravidão afeta todas essas áreas.
Para efeito de comparação, em Portugal 35% dos entrevistados também apontam o social como o setor em que a herança da escravidão possui mais impacto. Economia (16%), cultura (13%) e política (7%) foram citados na sequência, enquanto 13% das pessoas disseram que os efeitos da escravidão perpassam todas essas áreas.
No campo dos valores, o Brasil ocupa posição intermediária na aceitação de imigrantes, com 69% favoráveis à entrada de estrangeiros, indicando uma sociedade relativamente aberta, mas ainda atravessada por desigualdades estruturais.
Portugal é o país com menor percepção favorável à imigração, com 43%. Lá, 52% dos entrevistados disseram ser desfavoráveis aos imigrantes.
Os países lusófonos mais favoráveis à imigração estão na África: São Tomé e Príncipe (90%), Guiné-Bissau (75%) e Cabo Verde (70%). Angola e Moçambique (68%) e Timor-Leste (59%) completam a lista.
Sobre o Barometro da Lusofonia
“O Barometro da Lusofonia é uma iniciativa inédita de pesquisa comparada, com o propósito central de compreender como vivem, pensam e avaliam o seu mundo os cidadãos que integram um espaço plural e diverso mas que têm em comum a língua portuguesa”, afirma Antonio Lavareda, presidente do IPESPE.
O objetivo do estudo é o fortalecimento da integração entre os países de lusófonos, aprofundando a compreensão sobre percepções, valores e expectativas compartilhadas e destacando o papel estratégico do português – que possui cerca de 300 milhões de falantes, constituindo-se como uma das línguas mais faladas do mundo em número de falantes nativos.
Lançado inicialmente no começo do ano em Portugal, o Barometro da Lusofonia é um dos marcos dos 30 anos de existência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Matéria original: https://niddedigital.com/brasil-ocupa-2a-posicao-em-apoio-ao-casamento-homoafetivo-entre-os-paises-de-lingua-portuguesa-com-indice-bem-abaixo-de-portugal/